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domingo, 30 de abril de 2017

2a. quinzena de abril - aleticiale2017

Li/I've read...

Shopaholic to the rescue, Sophie Kinsella - in pursuit of my Kinsella marathon, this was the last of the shopaholic series. I've found out it was the only one I didn't have in my shelves, but I had it on kindle. (usually I have both, sue me, I'm a fan). Honestly, I don't like it very much. It revolves around Becky Bloom after her estranged father and her best friend's husband, who suddenly decided to go on a trip to the desert nobody knows why. She is escorted by her mother, her mom's best friends, a couple who live next door, the aforementioned best friend and Alicia Bitch Legs. Everybody who knows the books already thinks it's fishy, but it only goes down the hill from here: the best friend is a total bitch to her throughout the whole book, and even though at the end it is all revealed and teary, this was a decoy used two books before, so not only is it a bit unbelievable but also monotonous. The mother is in total hysterics, and after a while you just want to know why Becky doesn't go on some therapy to realize she is a punch bag for all these people. I know she has a heart of gold, but there is that and there is this book. It annoys me.

Remember me?, Sophie Kinsella - the story is cute and the characters too, but I saw myself deeply bothered by the fact that there was some romance going on that shouldn't be happening. Can't say any more. Spoilers on goodreads.


Twenties girl, Sophie Kinsella - I'd completely forgotten this ghost modern story that revolves around a headhunter and a dead aunt mingling in search of a necklace with a plot twist and everything. Even though the hero is not the typical sweetie Kinsella writes about, it's fun and light.

Undomestic goddess, Sophie Kinsella - the plot is so absurd it seems like a Mexican soap opera. A totally driven lawyer, on the eve she's about to become full partner, is found out to have made a horrible mistake that costs 50 million pounds to the company, and completely crazed, she ends up in a manor in the countryside, mistaken by the housekeeper sent by the agency (btw, apparently nobody else ever applied) and there she stays. You'd think it's hard to pull it off, but then you're not Sophie Kinsella. It's light, fun, easy to relate to Samantha, as absurd as it sounds, and the only thing that kept me from giving it 5 stars was the ending with the three times she goes back and forth. Can't one of Sophie's heroines be actually determined?? :P

Wedding night, Sophie Kinsella - I like the main plot and the subplot! Fliss'story is almost as interesting as Lottie's, and for that matter, Lorcan is almost as interesting as Richard or Ben. I'll say no more.


As pequenas memórias, José Saramago
Quem sabia que o nome do Saramago nem era Saramago, e foi "o primeiro caso no qual o filho teve de dar nome ao pai?" eu não! esse livro é uma autobiografia da infância dele, e embora as histórias não tenham muita costura entre elas, como ele não está mais entre nós nesse planeta, é sempre um prazer ler o que restou :)

Claraboia, José Saramago
Aparentemente esse foi um livro cuja publicação foi recusada, mas o que eu acho é que talvez um certo guia e editor tivesse ajudado. Os personagens são interessantes e a narrativa também, mas achei que termina meio sem precisar, sabe? queria saber um pouco mais de alguns deles, um pouco menos de outros... não sei. Se você leu, me conta o que achou.

Um teto todo seu, Virginia Woolf
Emprestado de uma amiga, esse livro foi uma surpresa. E colocou Virginia Woolf tão acima no meu conceito! Que mulher conseguiria escrever com tanta propriedade e racionalidade sobre a mulher na ficção (o tema que lhe foi pedido) e enveredar pelo empoderamento feminino EM 1930? Sensacional. Na minha ignorância, estou pra te dizer que ela também fala bastante da meritocracia, quando basicamente descreve  os x escritores famosos da época e suas condições. Ela diz que para a mulher escrever ela precisaria de 500 libras por ano e um teto todo seu, sem depender de outras pessoas. Livro fácil, não só por ser interessante mas pelo tom, e relevante. Recomendo.

A ilha contada, conto contemporâneo em Cuba.
Tenho esse livro na estante há anos. Tenho parentes em Cuba, e tinha uma natural curiosidade em saber o que se escreve lá hoje em dia. Foi curioso. Menções a parques de diversões, a jogos de baseball, dramas humanos, um colorido interessante, dois contos que amei, outros que não curti. Mas sempre aumenta a perspectiva, né? É bom saber que nosso mundo não é só aqui.

Fundamentos de psicologia analítica, C Jung
Um dos personagens de livros que eu li estudava símbolos e pensei que seria interessante reler Jung, vinte anos depois (fiz psicologia, mas nunca exerci). E foi. Acho esse suíço muito centrado, muito "com noção",  sabe? Esse livro é uma transcrição de cinco conferências que ele fez em tavistock, e é bem velho, mas didático, porque ele ainda está falando bem lentamente das funções de pensamento, começando a contar da análise de sonhos, dando mérito a Freud e Adler, falando do inconsciente de Kant, colocando pingos nos is. Bem interessante, mesmo pra quem não fez graduação na área.

sábado, 15 de abril de 2017

1a. quinzena de abril - aleticiale2017

Li/I've read...


9th and 13th, by Jonathan Coe - a very short book with some stories, one of them brilliant and the others, imho, just okay. I love Coe, however, and strongly recommend you try this one as the appetizer for his other books.

Otherwise Pandemonium, by Nick Honrby - this very short book has two stories, and the first one is great: a high school student finds out, almost by accident, a VCR (yes, who remembers those?) that fasts forward to the future, and instead of making money, he basically uses it to predict doom and lose his virginity. Ah, the innocence of the youth lol. But Hornby has this streak for narrative that is friendly and fluid, and you always want more.

The wave, Todd Strasser - based on a real story, an experiment that took place in California in 1969, and turned into a movie and a series, I think (I saw the movie), the book is my yearly re read. It never ceases to be shocking, though. And sad. and interesting. And slightly crazy. Just like the facts that originated the beginning of the experiment - the curiosity of a bunch of students about the Nazis and their way of thinking. Definitely worth reading.

Literatura comentada, Mario Quintana - Todos esses que aqui estão, atravancando meu caminho/eles passarão/ eu passarinho! - não dá pra ser mais fofo que isso, né? mas dá. A prosa é tão doce e bem escrita quanto a poesia, e esse é um velhinho pra se conhecer.

É agora como nunca: Antologia incompleta da poesia contemporânea brasileira, organizado por Adriana Calcanhoto - se eu já conheço pouco poesia, imagina a contemporânea. Conhecia dois ou três nomes, e é sempre interessante saber o que se está escrevendo por aí. Isso dito, como toda antologia, o gosto de quem escolheu é ligeiramente pessoal, e embora a temática seja excelente - o agora - nem todas as poesias "conversam" do mesmo jeito comigo como leitora.

Tudo que nunca contei, Celeste Ng - estava na minha lista há anos. e imagino que vá entrar em voga novamente, com a tal série advogando o suicídio (13 reasons why) do Netflix. Mas fiquei com gosto de quero mais. Achei que terminei o livro querendo saber tão mais sobre todo mundo, com a sensação de que não conheço ainda nem a Lydia, que perdemos no primeiro parágrafo, nem Hannah, que queria muito conhecer, nem seus pais, que vão do imperfeito ao quero ser perfeito que me deixou insatisfeita, nem o entorno. Acho que abordar um assunto como esse requer mais profundidade, mais empatia, mais amor, e mais informação. Ou seja, não foi detestável, mas não gostei. não teve a empatia de All the bright places, nem o lirismo de The wrath and the dawn.

Cinco esquinas, Mario Vargas Llosa - livro desconhecido para mim do Vargas Llosa, depois de Travessuras da menina má, então altas expectativas, né? pois eu realmente não gostei. Achei meio mais do mesmo, achei muito sexual, achei a trama meio óbvia sem ser interessante, meio novelesca sem ser reveladora... sei que soa feio, mas se não fosse dele eu teria largado o livro. como era, fiquei insistindo esperando ser algo mais interessante do que se tornou. Nunca melhorou. Decepcionante.

My not so perfect life, Sophie Kinsella - oh, how much I missed her <3 and she didn't disappoint me. Even if there were some hollywoodian turns, they were not predictable and it was fun and interesting. Her voice is always the same, and it feels like the person whose sense of humor totally reflects yours, you know? I start smiling by the beginning of the sentence knowing how it is going to end many times. It actually led me to...
a Shopaholic marathon! (actually, a Kinsella marathon, but I'm nothing if not thorough, so I started with the first book I read from her, Confessions from a shopaholic)
I've re read all seven books:
Confessions of a shopaholic - my mind had been playing tricks on me, because I didn't remember important bits, such as Tarkin's first crush or Suze's real looks or how she manages to get rid of debt in this book - Ihad got it confused with the second book. So see, it was great re reading it!
Shopaholic takes Manhattan - I can only imagine what it is like for a Brit shopaholic to go to NY for the first time. The brands, the outlets, the strong currency... I'd go crazy too, lol! and also, Luke <3 and one of my favorite scenes, the t-shirt worn as fashion because she packed light.
Shopaholic ties the knot - the double wedding is something only Becky Bloom would do. At least, believably.
Shopaholic and sister - one of my least favorites. Jess annoys me, Becky seems under the weather for most of the book, Luke is all macho, I don't like it.
Shopaholic and baby - Kinsella being creative all over again. That Venetia is almost Mexican soap opera worth it.
Mini Shopaholic - Even if Minnie sounds a bit of a nightmare, the ending made it all worth for me. I love it.
Shopaholic to the stars - Again, not a favorite: too much drama, too much side plots - I don't care so much about all that soap opera thingy celebrities do - and sadness that doesn't agree with her. Also, where's Minnie?
I still have to read Shopaholic to the rescue, which vanished from my bookcase - apparently, I have two Wedding nights, though. Anyone for bartering? And then I'm going to go for the random ones, Can you keep a secret?, Twenties girl, and so on, which I absolutely love.


terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

aleticiale2017 - 2a. quinzena de fevereiro

Cheguei a um terço da meta do ano, o que é bom.

Cartas extraordinárias, organizado por Shaun Usher, que incrível <3. Estava na minha estante há anos, presente da Tati Feltrin, esperando um momento especial. Minha reclamação é que eu gosto de ver as letras das pessoas, e queria ver os originais. Nem sempre tem: a maioria é a tradução e em Times new roman, o que perde um pouco a graça. Mas o conteúdo e a curadoria foram incríveis, que delícia de leitura. Recomendo ainda mais que o das listas, e eu amo as listas.

Breakfast at Tiffany's, Truman Capote. Nem tenho vergonha de dizer que é um desses que estava na minha estante há anos e eu nem me lembrava de ter lido. Por um lado, achei interessante e bem escrito. Por outro, ainda não sei qual o fascínio tão absoluto que a Holly (ou Lullamae) exerce sobre todo mundo. Preciso pensar mais sobre isso.

Histórias de fadas, Oscar Wilde. Depois de ter lido sobre a época de prisão e o fim da vida dele, é ainda mais triste ler essas histórias, que são quase sem exceção muito tristes e meio irônicas. Mas valem a leitura, sem dúvida.

O seminarista, Rubem Fonseca. Emprestado. Achei meio bruto demais pra mim, especialmente o final, muito descritivo. Um policial para meninos, com o perdão do sexismo.

Uma janela em Copacabana, Luiz Garcia-Roza, em compensação, gostei muito. Achei mais sutil e interessante, e o final bem surpreendente.

Claros sinais de loucura, Karen Harrington - essa é uma história para adolescentes, YA, escrita por uma personagem cuja mãe tentou matá-la. Devia ser muito horrível, né? Mas é de fato pungente e bem escrita, adolescente mesmo. Acho isso original. Foi uma releitura, e ainda gosto do livro.

Passarinho, Crystal Chan - outra releitura, que gostei um pouco menos do que gostei da primeira vez, sobre uma menina que vive com uma família e suas tragédias sem saber muito bem o que fazer com elas.

Fahrenheit 451, Ray Bradbury - gosto tanto da premissa. Gosto menos de algumas partes do desenvolvimento, mesmoq ue entenda que fazem parte do mito. Da inana Mildred, da completamente fora da caixa Clarisse - me parecem muito estereotipadas - e do fato de que aquele final me dá uma sensação de incompletude.

E vamos embora :)

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

2a. quinzena de janeiro - aleticiale2017

Cordilheira - Daniel Galera
Esse é um livro que foi escrito com uma premissa deliciosa: aparentemente deram uma grana para uns autores para escrever in loco em alguns lugares, e disseram pra esse sujeito ir escrever em Buenos Aires. Então a ambientação é ótima, e pra quem já foi, super se sente em casa. Mas detestei a história, coisa chata! uma mistura de complexo de Electra com metanarrativa que não tem fim. Tinham me falado super bem do cara, e foi meio decepcionante. Talvez não seja meu tipo de livro.

A dor - Marguerite Duras
Árido e difícil como todo livro escrito sobre essa época, narra algumas histórias, e com o holofote em uma, sobre uma pessoa que aguarda a volta do amante de um campo de concentração nazista, e é membro do partido de resistência, e tem detalhes autobiográficos, e é mascarado como "diários perdidos", e tem exatamente esse tom de dor tão em "stacatto" que você só sente o latejar. Quando você achar que está tendo um dia ruim...

Rita Lee, uma autobiografia
Dá pra resumir bem com o que ela diz que gostaria que fosse o epitáfio dela, algo como "Não era um bom exemplo a ser seguido, mas era gente boa".

Senilidade, Italo Svevo
Gosto da narrativa dele, mas achei esse livro em particular meio repleto de clichês, o sujeito mais velho apaixonado pela jovem muito trambiqueira e que tem a irmã virgem e feia como contraponto vivendo com ele. Existem equilíbrios, como a vizinha ou o amigo, mas acho que o autor tinha mais talento que isso. Claro, é necessário lembrar que foi escrito no começo do século (1920 e pouco) e só foi bem sucedido porque era amigo de alguém (Camus, talvez?)

Uma coisa de nada, Mark Haddon
Esse é o cara que ficou famoso pelo outro livro, e eu esbarrei nesse título no sebo. E aí fui lendo, e achando aflitivo o senhor que estava claramente à beira de um colapso, pai da moça que estava claramente necessitando terapia, marido da senhora que estava urgentemente precisando de um grupo de apoio... ele segue uma certa linha, né rs... enfim, fora o fim que foi muito hollywoodiano pra mim, achei bom e envolvente.

Wild, Pacific Crest Trail, Cheryl Strayed
It took me a while to get to this book simply because I had assumed it would be boring and I wouldn't be able to relate at all to the story, being the last person on Earth who would go on such an adventure. But soon I figured out that the author was not so different from me, and the book focused on being human much more than on being an athlete. And then I really enjoyed it.

Os viúvos, Mario Prata
Bom e velho policial, leve, interessante, divertido. Vou procurar mais coisas dele.

Conte sua história de São Paulo, Milton Jung
achei que fosse gostar tão mais do que gostei! São 110 histórias de ouvintes sobre a cidade, e houve uma tentativa de separá-las em blocos temáticos, mas pra mim ficaram sem pé nem cabeça. Muitas são só pedaços de nada, outras vão indo e vindo e não sei pra onde...

Terra descansada, Jhumpa Lahiri
Li O xará dela anos atrás, e me apaixonei loucamente. Esse livro teve críticas no goodreads sobre "mais do mesmo",com  o que eu discordo muito, simplesmente porque entendo que ela é muito boa sim em escrever sobre os aspectos culturais, mas além disso, ela é muito boa em escrever sobre gente. Sobre aquelas pequenas coisas que nos fazem mesquinhos e difíceis e sofridos e tornam as relações tão complexas e cheias de nós. Claro, o Terra descansada tem contos (acho que oito) e todos trazem famílias de origem indiana. Mas acho que é porque ela sabe disso, né. Tanto faz. Enfim. Me lembrei como gosto dela.

Doei uma pilha de livros pra Biblioteca (Viriato Correa, na Vila Mariana), e li quase que exclusivamente livros físicos esse mês. Estou curtindo "eliminar" livros da estante, seja por doar, emprestar, trocar no sebo, redescobrir... não curto o fato de que "compartilhar" trechos no Kindle, que é algo com o que eu tinha me acostumado e gosto muito (tenho cadernos de citações desde adolescente), dá muito mais trabalho. Mas acho que vou  manter isso por mais algum tempo, e continuar a "faxina" na estante. Estou vendo progresso!! Foram 26 livros esse mês, só literatura brasileira e internacional de fato.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

A Letícia lê - 2a. quinzena de outubro

Eu sei, é vergonhoso. Mas tem sido um período tenso, de muitas horas de trabalho, e chegou um momento no qual ou eu lia ou eu escrevia sobre o que estava lendo :P
Ah, e teve a maratona Gilmore girls, que roubou todas as noites durante umas três semanas. Que saudades eu tinha da Rory e da Lorelai e de todo o drama e das 60 palavras por minuto.
Enfim, agora chega aquele período no qual eu me desespero porque minha meta de 260 livros do ano está muito atrasada (faltam 93 e só temos 53 dias para acabar o ano!). D. disse "mas a meta é sua, deixa ela pra lá"e eu tive um ataque de riso. Parece que não me conhece :P A la Scarlet O'Hara, dramaticamente, cumprirei a meta ou morrerei tentando.

De qualquer jeito, no último mês e meio, eu li 45 romancezinhos Harlequin, que são os aceleradores de meta, rã rã. Rápidos, com fórmula quase, uns dois ou três MUITO mal escritos dos que fazem a gente fazer caretas ao ler, outra meia dúzia muito fofinha e romântica, a maioria gratuitos porque depois que eu descobri o Ebook lovers hesito muito em pagar por esse tipo de livro - só aqueles cujos autores eu já conheço e gosto. Nalini Singhi, Lexi Ryan, Kersley Cole, essas de quem eu já li vários, por exemplo. Se esses livros te interessam, espia meu goodreads. Pule tudo que tem duas estrelas. Nem tudo que é gratuito vale a pena.

Além deles, li meia dúzia de chick lit que já estava na minha casa (Ralph's party, da Lisa Jewell, foi o único que ainda se manteve interessante, com as três estrelas do meu 'corte'. Os outros perderam o encantamento em algum momento dos últimos dez anos. Li pela primeira vez um da Jenny Colgan, The bookshop on the corner, bem fofo.

Reli alguns outros títulos: em particular, um chamado A madrasta, da Nancy Thayer, que foi comprado pelo meu irmão no Círculo do livro em 1900 e bolinha e eu li muitas vezes quando adolescente. Achava a narrativa muito vívida, conseguia ver muito bem a madrasta e as enteadas e a lista de demandas da ex esposa. É muito interessante reler livros que você leu quando era praticamente outra pessoa. Reli também um Veríssimo, Histórias brasileiras de verão. Não é o mais engraçado, mas há algumas das histórias que te fazem rir horas depois de ler.

Li um distópico bem bom, Anthem, Ayn Rand. E mais dois YA, The magicians, Lev Grossman, que eu tinha esperado muito e fiquei um pouco desapontada, e Despertar, da Meg Cabot, sempre uma alegriazinha. ah, e um chamado Lionheart, uma revisita de Bela e a Fera, sempre uma fofura.

Li um mistério chamado The Little Stranger, da Sarah Waters, que me prendeu muito quando o sobrenatural começou de fato a aparecer, e me frustrou um pouco quando não foi de fato "resolvido". Foi bem Poe pra mim. Gostei. (obrigada, Silvia!) Li também um livro chamado I know this much, do Wally Lamb, cujo gênero eu não sei classificar. Gostei muito de algumas partes, me arrastei por outras. Gostei do final, mesmo mais hollywoodiano.

Li Ruth Manus, Pega lá uma chave de fenda e outras divagações sobre o amor, e eu já sabia que ia gostar porque adoro muito o que ela escreve. Comprei dois, já pensando numa amiga que sei que também gosta, e na verdade já saí da livraria pensando que devia ter comprado quatro, porque é um livro doce e fofo. Ela me faz sorrir, chorar ou querer compartilhar - sabe aquele pensamento de "Sim, eu também!"? sempre tenho quando leio sua coluna no Estadão. O livro é mais genérico, mas mesmo assim muito fofo.

E li Antonio Prata, Trinta e poucos, e estou salvando o melhor para o final porque AMEI MUITO. MUITO. MUITO. Compre pra todo mundo que você conhece, porque é uma delícia de leitura. Leve, engraçado, triste, interessante, termina rápido demais.

domingo, 10 de abril de 2016

A Letícia lê

Ao contrário do que a Silvia e a Maria dizem, estou de fato lendo devagar: 20% da minha meta só foi alcançada, com 50 livros lidos - e já estamos em abril. Ando enjoadíssima, burlando minhas próprias regras - como tenho dificuldades imensas de largar o livro começado, dou permissão a mim mesma de fazê-lo só até os primeiros 10% dele, e larguei vários assim. Só que aí, né Brasil, nada vai pra frente. Essa semana diz a lenda que ganho tempo livre (conto depois), quem sabe aí deslancha.

As cerejas, Lygia Fagundes Telles - na verdade, o primeiro conto dela e os três próximos com releituras. Gostei de um deles, do Duílio Leite, mas não gostei dos outros. Claro, é bem árduo competir com um conto da Lygia, mas bem, era a proposta e foi aceita, nénão? #fiquecomaLygia.

Heart Collector, Jacques Vandroux - sobre um serial killer que, adivinha, rouba corações e os come, tentando afastar o espírito da mulher que matou há anos. Essa, por sua vez, 'avisa' um moço aleatório - que acaba não sendo tão aleatório assim - sobre os crimes, de forma paranormal, e ele tenta ajudar a encontrar o assassino. A ideia não era horrível, mas houve uns momentos MUITO forçados. E aliás, se você é um espírito, e consegue me contar seu nome e sua relação comigo, por favor, dê um passo a mais e me conte o endereço de onde está o assassino.

Hannah e suas filhas, Marianne Frederiksson - gosto de histórias familiares, mas a cronologia disso aqui me incomodou. Havia Anna, Hanna, Johanna. Mas claro, na história de uma, outra aparecia. Havia dois Rickard. Havia dois John. Tava faltando nome no dominó dos personagens, minha gente???

O demônio do meio dia, Andrew Solomon - um não ficção sobre depressão. Infelizmente, muita gente que eu conheço sofre, sofreu, tem sofrido de doenças mentais de algum tipo, e esse título sempre cruzava meu caminho. Gostei muito de algumas colocações do autor - meu goodreads tá lotado de citações e trechos do livro - mas outras partes me entediaram, por serem muito particulares, muito específicas ou muito locais: história de alguém, falar sobre os hospitais psiquiátricos da região na qual ele entrevistou pessoas, etc. Ainda assim, por ser um retrato semijornalístico e autobiográfico, vale a leitura.

Tá rolando é nada nem de rain, nem de tea. Só desejando por aqui.


segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

A Letícia leu! os favoritos de 2015 :)

A contagem regressiva já começou: faltam alguns livros pro meu próprio desafio ser terminado; ano passado, tinha estabelecido 200, e li 228. Cheguei à conclusão de que se lesse uma quantidade regular de quick novels, esses romancinhos Harlequin ou YA, que são rápidos, eu conseguiria me superar: Aí fiquei folgada... meu objetivo de 2015 são 250, e estou apanhando. Um pouco porque decidi reler clássicos, cuja linguagem mais elaborada e rebuscada, especialmente quando em inglês, e alguns foram, me faz demorar mais. Um pouco porque a vida aconteceu (férias, trabalho, momentos nos quais li pouco).

Também notei que sou pão dura pra cinco estrelas: cinco estrelas são os 'livros da vida', e realmente nem todos entram aqui. Quatro são os que me deixaram terminar impressionada, mas tudo tem a ver com expectativa também, né?
A maioria dos livros que eu vou lendo ganham três estrelas, duas se foram ruins e uma se eu acho que não valem o papel no qual foram impressos.
Finalmente, vale dizer que eu coloquei a versão que eu li, portanto em alguns casos está em inglês. Mas a maioria dos títulos existe em português, é só ir buscar no mundo maravilhoso da internet o que 'conversar' com você :)

Enfim, sem mais delongas: até hoje, dez dias antes de terminar o ano (e 15 livros para entrar na lista), esses foram meus favoritos de 2015, os quatro e cinco estrelas:

Os relidos:

  1. Delicacy, do David Foenkinos. Continua acalentando meu coração de mil maneiras. E olha que a capa de filme não me ajuda a ser feliz (geralmente detesto).
  2. Comédias da vida privada, do Luís Fernando Veríssimo. Não importa o tempo que passe, aparentemente: eu continuo rindo alto dos personagens que a essas alturas são meus conhecidos. Amo esse livro.
  3. Ana e Pedro, Ronald Cleaver e Vivina de Assis Viana. Li com o maior medo, porque era realmente da minha adolescência. Sim, ainda amo.
  4. To kill a mockinbird, Harper Lee. O livro mais popular da minha lista, diz o Goodreads. Eu não sabia o que esperar, afinal fazia séculos que o havia lido pela última vez. Mas como disse o Ítalo Calvino, (acho), um clássico é aquele que nunca terminou o que tinha a dizer.
  5. Anexos, da Rainbow Rowell. Embora esse ano eu tenha lido o novo dela e não gostado, acho que os personagens de modo geral são muito queridos - e, claro, esse livro é em forma de e-mails, minha paixão particular.
  6. Um certo capitão Rodrigo, Érico Veríssimo. Eu quero ler a série toda, claro. Mas tinha um certo apego ao capitão Rodrigo, e queria ver se era justificado. Spoiler: era.
  7. Dom Casmurro, Machado de Assis. Um desses clássicos que você acha que sabe a história, como O velho e o mar. Aí você relê e tem muita pena de tantos autores no mundo, porque né, que triste não ter escrito esse livro. Que incrível camada de personagens, que leveza.
  8. The witches, Roald Dahl. Adoro esse escritor, mas há alguns livros dele que na verdade nunca me atraíram (como  A fantástica fábrica de chocolate, incrivelmente). Essas bruxas, contudo, me são muito reais.

Os quatro e cinco estrelas de 2015 lidos pela primeira vez:

  • A série Reboot, da Amy Tintera - acho que hoje em dia, com tanto YA/distopia, não é fácil alguém ser consistentemente interessante numa trilogia, e eu gostei muito dessa série.
  • Champion, Marie Lu. Falando em séries adolescentes que o mundo devia conhecer.
  • Por lugares incríveis Jennifer Niven. O livro mais triste do mundo, acho. Mas tão, tão doce, que você entende que a vida nem sempre é feliz, mas ainda vale a pena ser vivida.
  • Love like crazy, Megan Squires. Eppie é uma dessas adolescentes que você quer levar pra casa e abraçar, e Lincoln... meu coração achou Eleanor e Park de novo.
  • As pequenas grandes mentiras e O segredo do meu marido, Liane Moriarty. Essa australiana é realmente incrível. Li tudo dela, aos poucos, e de um livro pra outro você gosta mais ou menos, seja por causa do envolvimento com os personagens, seja porque está numa vibração diferente - mas não dá pra negar o talento de contadora de histórias dela, e isso é algo que eu sempre admiro imensamente. Esses foram meus favoritos desse ano.
  • Finding Audrey, Sophie Kinsella. Eu amo essa mulher. Mesmo. Não só porque rio alto com a personagem viva que ela criou pra mim há vinte anos, a Becky Bloom, mas porque depois disso, ela não deixa de me surpreender com sua voz e talento (e simpatia, como pude ver esse ano pegando seu autógrafo). Esse livro é um YA, tão fora da realidade dela! e ainda assim, perfeito.
  • Mar da tranquilidade, Katja Millay. A menina gótica e seus segredos? Ah, mas é tão mais do que isso, né? Como a vida. Como os bons escritores. Como aquelas fases que você acha que não vão passar nunca...
  • The handmaid, Margaret Atwood. Um livro curioso, que iniciou a distopia quando ela não era um gênero, dizem. A tradução horrorosa, algo com 'aia' no título, que você acha que foi um erro de impressão, pode te impedir de pegá-lo na mão, mas uma vez que ele vá pro seu colo, é assombro garantido. Delicioso de ler.
  • Diálogos impossíveis, Luis Fernando Veríssimo. Jà falei que esse sujeito sabe ser incrível?
  • De verdade, Sandro Marai. Ao contrário de vários livros, a sinopse é megacomplexa e te dá até uma preguiça. Outro engano delicioso: ele é absolutamente incrível e vale começar, porque você não vai querer parar.
  • The perfect comeback of Caroline Jacobs, Matthew Dicks. E se sua mãe tivesse um chilique na reunião de pais, e resolvesse ir tirar satisfação da amiga de adolescência a 300 km de distância na sequência? Seria um surto? Pois siga Caroline Jacobs :)
  • Fat chance, Nick Spalding. Comecei muito sem querer, acho que era um freebie. A história de um casal que se inscreve num reality show. Mas, como eu sempre digo, a sinopse sempre diz muito pouco sobre o que um escritor bom pode fazer com ela, né?
  • O filho de mil homens, Valter Hugo Mãe. Vamos ser muito honestas aqui: Se você ler a história sobre o coração fora do corpo e não achar a coisa mais terna e pungente que leu em muito tempo, provavelmente não vai gostar do resto. Mas se isso acontecer, 'agarra nele', como diria minha amiga mineira.
  • Memoirs of an imaginary friend, Matthew Dicks.Como uma pessoa pode escrever um livro contado da perspectiva de um amigo imaginário, e não só não ser ridículo como de fato ser muito real e doce?
  • Put some farofa, Gregorio Duvivier. Uma grata surpresa, eu ri, concordei, quis encaminhar pra amigos... fazia tempo que não tinha reações interativas com esse tipo de livro :)
  • Extraordinario, RJ Palacio. Um desses livros que ficou me rodeando um tempão, e aí um dia me rendi. Auggie mora no meu coração.
  • Em defesa de Jacob, William Landy. Um adolescente acusado de assassinato. O pai é um advogado muito importante na cidade. Antigamente, isso seria Sidney Sheldon, né? mas pode acreditar, você fica passadinho. Bege, como diriam as amigas hoje.
  • The perfect son, Barbara Claypoole. Outra grata surpresa. Existe um casal com um filho de necessidades especiais, e como em muitas famílias, a mulher toma conta de tudo. Aí ela sofre um ataque cardíaco, e o marido tem de se adaptar ao que está acontecendo. Como diria Tolstoi, Todas as famílias felizes são parecidas, mas as infelizes são infelizes cada uma à sua maneira, né?
  • Sugar, Deirdre Riordan Hall. Lembra daquele Precious, que ganhou o Oscar uns anos atrás? Sugar é uma adolescente maltratada, que sofre bullying, tem uma família horrorosa... mas ainda é um livro que te traz novas perspectivas e esperança, e o que mais você pode querer de um livro?
  • No mundo da Luna, Carina Rissi. Capa bregona, sinopse nada de mais... e não é que é bem adorável?
  • Grayson's Vow, Mia Sheridan, Estava doente de cama e queria um chick lit pra ler - gente, há anos não tenho a agradável surpresa sem surpresas de um bom chick lit. Aí uma amiga me disse que esse não era beeem chick lit, mas valia a leitura. Meio romance, meio erotica, meio humor - e a mistura fica muito boa.
  • Lords of the Underworld, Gena Showalter. Pra não dizer que eu não declarei em voz alta que leio esse tipo de trashy novel. E gosto. 
  • Aos meus amigos, Maria Adelaide Amaral. Eu não conheço outras obras dela, mas essa mistura de Invasões bárbaras (lembra desse filme?)  e realidade me encantou.
  • Sobre a escrita, Stephen King. Outro contador de histórias SENSACIONAL. Ele escreve sobre montes de coisas, do começo da sua vida escrevendo num porão ao atropelamento que sofreu em 99, e você bebe cada página. E ainda fica sabendo como surgiram histórias como Misery, uma das minhas favoritas.
  • Three daughters, Consuelo Saah Baher. História de gerações muito bem contada, a la Vargas Llosa.
  • The word child, Iris Murdoch. Uma das coisas que mais me faz chorar é pensar naquele filme que foi feito sobre o fim da vida da Iris Murdoch, uma escritora prolixa que passou trinta anos lidando com linguagem e um dia se viu perdida entre as palavras. Enfim, eu quase a evito, porque é muito triste... mas esse livro é bem incrível.
  • The translator, Nina Schuyler. Um livro sobre linguagem, de alguns modos. A protagonista é tradutora, sofre um problema de saúde... e tanta, tanta coisa dentro dela e fora muda.
  • Emmi e Leo, Daniel Glattauer. Alemães se escrevendo e-mails por acidente se envolvem à distância. quem disse que não há romance epistolar na Europa Ocidental?
  •  Cormoran Strike (Career of evil)Robert Galbraith, pseudônimo da JK Rowling, continua abalando Bangu. A série vale muito a pena.
Vamos celebrar o fato de que embora sejam menos de 20% de todos os livros lidos esse ano, há livros fantásticos o suficiente aqui pra reler mais de um por mês, e gente, isso é muito maravilhoso, né? 


Seinfeld celebrating gif

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

A Letícia lê - livros lidos nessa semana - Mês temático: 1a. quinzena da criança!

E aí que a quinzena da criança foi muito produtiva! Ela virou quinzena do YA também, né, porque afinal, hoje em dia é quase uma coisa só... (e pra falar a verdade, muitos dessa lista já estavam na minha estante/lista de leitura).


coleção vagalume
Comecei com o Histórias da turma, Marcia Kupstas - esse livro se originou das crônicas que a autora escrevia pra Capricho, da qual eu era assinante, era 'a revista' na minha adolescência. Mas, ao contrário da primeira vez que eu li, dessa vez eu achei uma certa "forçação de barra", não me conectei com os personagens (eu sei que tenho vinte e cinco anos a mais, mas sabe aquele sentimento nostálgico que a gente tem quando sente um cheiro ou vê algo do passado? não tive. Tive um estranhamento, só.) Eu li pensando, esse seria um livro que eu compraria para uma sobrinha, para a filha de uma amiga? e concluí que não. Tchau, Histórias da turma. Foi bom enquanto durou.

Aí eu li A hora do amor, do Alvaro CArdoso. Embora tenha sido escrito na década de 60, e eu tenha lido vinte e poucos anos depois, relendo mais vinte na sequência eu ainda gosto do Beto, o personagem principal, ainda vejo a Lucia Helena, ainda entendo a frustração... esse fica na minha estante.

Ana e Pedro, Vivina de Assis Viana e Ronald Cleaver - em compensação, este livro... tanto amor! esse é composto de cartas. Ana conhece uma moça em Cabo Frio, ela fala do amigo, Pedro, que mora em BH, e eles começam a se escrever. Gente, tanta fofura! Amo.

Pausa para possivelmente o melhor desse compilado: Memoirs of an imaginary friend, Matthew Dicks -  li no Kindle, mas olha que sorte, já tem em português <3. Que livro fofo. Será que o Matthew Dicks conhece a Rainbow Rowell? Se não, deveria. Eles deveriam ser amigos, e ir ao cinema, e tomar muitas xícaras de chá de ervas com sponge cake. Mas enfim. O livro é sobre o Max. Ou talvez seja sobre o Budo. Max é possivelmente autista,
Max lives on the inside and the other kids live on the outside. That's what makes him so different. Max doesn't have an outside. Max is all inside”
Max vive no 'por dentro' e os outros garotos vivem no por fora. É isso que o torna tão diferente. Max não tem um 'por fora'. Max é todo 'por dentro'.
Agora me fala se não é a definição mais bonita que você já leu?
ele tem tem 9 anos, e tem um amigo imaginário/narrador do livro, que se chama Budo e vai te contar TUDO sobre o planeta dos amigos imaginários. Budo é a criatura que você queria ter pra si. Você vai ter vontade de ter um amigo imaginário agora mesmo, eu prometo. É engraçado (I once knew an imaginary friend named Philippe. He lasted less than a week. One day he popped into the world, looking pretty human except for his lack of ears (lots of imaginary friends lack ears).): Uma vez eu conheci um amigo imaginário chamado Philippe. Ele durou menos de uma semana. Um dia ele apareceu no mundo, parecendo bem humano exceto pela falta de orelhas (muitos amigos imaginários não tem orelhas).
É sábio: “It's strange how teachers can go off to college for all those years to learn to become teachers, but some of them never learn the easy stuff. Like making kids laugh. And making sure they know that you love them.”
É estranho como professores podem ir à Universidade todos aqueles anos para aprender a se tornar professores, mas alguns deles nunca aprendem as coisas fáceis. Como fazer as crianças rirem. E se assegurar de que elas saibam que você as ama.

Se eu não te convenci a ler esse livro até agora, não sei mais o que fazer. É lindo, e triste, e alegre, e doce, e amargo - como os livros escritos com o coração são. Fiquei muito feliz de ter começado com ele.

MEMORIAS DE UM AMIGO IMAGINARIO


Aí eu me empolguei e fui revisitar meu amigo, Roald Dahl: sou tão fã desse cara! Comecei por Charles and the Great Glass Elevator, que é uma sequência da Fábrica de chocolate. Nem é meu favorito. Ficou com três estrelas, só porque 1, ele não é condescendente com a imaginação infantil, 2, ele não tem medo de realmente se empolgar e misturar alienígenas, presidentes estúpidos (um galês escrevendo sobre isso na década de 70 era novo) e a estupidez e ignorância humanas. A mistura é bem interessante.

Aí fui ler The Witches, porque veja bem, eu colecionava bruxinhas quando adolescente, li Maleus Maleficarum, tenho uma tatuagem de triquetra, acho o poder feminino algo fascinante. Pena que essas bruxas são as de sempre, rs: seres que são malignos, identificados por características como usar sempre luvas e peruca e transformar crianças em bichos. Mas gente, a narrativa desse homem!!! Adoro.

Aí fui visitar a coleção Vagalume, e dos volumes que eu tenho (na verdade, os que eu queria ter eu nãotenho: Sozinha no mundo, A serra dos dois meninos, por exemplo). Tenho alguns, e Marcos Rey é sempre um hit. Esse livro não deve nada aos mistérios contemporâneos, e vou dizer mais: não deve muito aos mistérios clássicos também. Muito divertido. Um cadáver ouve rádio tem três adolescentes que de fato contribuem pra solucionar um crime.

Nesse ponto, resolvi ser modernosa (o que contradiz totalmente o uso desse adjetivo) e ler Thalita Rebouças. Comecei com Ele disse, ela disse. Fácil de ler, fofinho, a única coisa que realmente me incomodou era que NEM A PAU eles tem 14 anos. Conheço gente de 14 anos muito articulada e moderna e madura, muito mais do que eu era, entendo isso. Mas o uso de linguagem, o tipo de preocupação... não rola. Eu ignorei o fato por muito tempo, porque os personagens são superlegais; só que aí do nada a menção à idade reapareceu e me irritou de novo. Afe.

Comédias para ler na escola, do Veríssimo, era pra ser um hit, mas nem foi. Algumas muito legais, outras nem tanto, e nem todas que diziam "se vc começar a ler esse cara nunca mais vai querer parar", o que eu achei que era todo o objetivo...

Li Como ser popular, da Meg Cabot. Receita de bolo de cenoura, quer dizer, de filme hollywoodiano, sem tirar nem por. Fofinho, gasta duas horas da sua vida, sem grandes desafios.


Carry on, da Rainbow Rowell, vai ficar pra próxima semana. Não estou pronta pra falar desse livro.

Fui muito produtiva, fala aí! Estou finalmente mais perto de chegar na meta. Comecei inclusive a quinzena do Halloween :)


segunda-feira, 28 de setembro de 2015

A Letícia lê - livros lidos nessa semana


Antes tarde do que sempre - Bernaldo Gontijo
Só Deus sabe o que esse livro estava fazendo no meu kindle. Não sei nada sobre ele ou sobre o autor, e pra não gastar meu tempo, resolvi não buscar. O livro soou por bastante tempo (as primeiras 100 páginas, acho) como literatura infantojuvenil (ruim), tanto que comecei a me lembrar desses títulos desse gênero dos quais eu gosto, para reler. Daí a parte 'adulta', de bebida, maconha e sexo começou a ficar mais e mais frequente, então deixou de fazer parte desse gênero. Mas a maturidade emocional do protagonista permaneceu nessa faixa etária, e não do jeito fofo e simpático. Tédio com um T bem grande pra vc.

Go set a watchman - Harper Lee
Puxa vida. Tanto a se dizer aqui. Eu fiquei superansiosa por esse livro, claro, porque gosto bastante do primeiro, e porque a voz da Scout era tão gostosa e agradável.
Então, por partes: as primeiras 150 paginas, mais ou menos, permanecem com reminiscências da Jean Louise, que agora vem visitar o pai, já um pouco velhinho e com artrite reumatóide, morando com a tia Alexandra. Ela tem sentimentos dicotômicos sobre Maycombe: metade de si acha que enquanto NY é livre e interessante, Maycombe é, de fato, o "mundo real". Outra metade acredita que jamais conseguiria viver ali.
Não posso falar muito sem dar spoilers sobre o que mudou na vida dela, então fico por aqui. Também nem acho que importa muito para o cerne da história.
Enfim, em algum momento, ela descobre que o pai está no Conselho da cidade, vai até lá, e ouve todo mundo falando sobre como os negros são seres inferiores; fica absolutamente enfurecida porque o pai está lá sem se revoltar, ou seja, ouvindo tudo aquilo e 'aquiescendo', e tem um ataque adolescente. Claro que a gente entende a dificuldade de ver os pais envelhecerem. Eu me identifiquei muito com essa frase: She always thought of him as hovering somewhere in his middle fifties - she could not remember him being any younger, and he seemed to grow no older. Mais ou menos: Ela sempre pensou nele como pairando em algum lugar dos cinquenta e poucos anos - ela não se lembrava dele ser mais jovem que isso, e ele não parecia envelhecer mais do que essa idade. É assim que eu penso no meu pai, e ele já tem 79. Mas eu procuro evitar fingir ter 12 anos. Tipo, sai pisando duro, faz a mala, xinga a tia. Se você não sabe que ela tem 26 anos, jura por Deus que ela tem 16. Electra, a equivalente ao complexo de Édipo, vive, né...
Não vou entrar no mérito do preconceito. É um tema sem dúvida muito complexo, e profundamente interessante, do ponto de vista histórico e humano. E, claro, tenho opiniões. Acima de tudo, tenho crenças e valores. E, como a Scout (e como Atticus), sou regida por eles.
Então, vou focar na minha opinião sobre O LIVRO: entendo perfeitamente o editor (muito esperto) que disse pra Ms. Lee tantos anos atrás: olha, legal e tal, mas acho que se você aumentar esse ângulo aqui e falar mais sobre a infância da Scout, isso aqui tem grandes chances. Esse volume, do jeito que está, tem partes legais, do tipo 'quero saber mais', e outras 'ah, eu fico desse lado'. Que tal? E entendo a Ms. Lee que foi esperta o suficiente para acatar o conselho e escrever um livro tão interessante como O sol é para todos, que afinal virou um ícone.
Porque, em termos de livro, esse é, perdoe meu francês, simplesmente mais chato que o outro. É tipo, substitua a parte nobre (igualdade e justiça sendo a razão do chilique) e o chilique da Scout é intragável. Ela, em muitos jeitos, é só bastante mimada, do jeito dela. E a gente gostava MUITO da Scout, né. Ela era a criança mais esperta, mais interessante, mais rica de emoções. Isso aqui fica decepcionante.
Você pode até dizer que afinal, essa parte nobre é o cerne da história, do livro, do sucesso. Mas aí, minha gente, se é... então foi mal trabalhado. Porque nem aparece por 150 páginas, aparece como razão do chilique, e some de novo, deixa eu contar. Sou mais fã do Uncle Jack, pra falar a verdade, mas não há um grand finale tão lindo como o episódio do livro anterior, então aí a gente fica com outro problema, né...
Enfim. No goodreads, isso aqui virou três estrelas. Duas delas foram ganhas na história da Scout achando que estava grávida aos 11 anos. Impagável. Vou dizer que valeria ler o livro só por isso. Me processe.

Atticus Finch. "You never really understand a person until you consider things from his point of view." To Kill a Mocking Bird. #MauraDawg
Você nunca entende realmente uma pessoa até que você considere as coisas sob o ponto de vista deles. (Atticus Finch, O sol é para todos)


The tennis party - Madeleine Wickham
Basicamente, o sujeito é um vendedor de investimentos, casado e com uma filha, de quem tem muito orgulho, e decide dar uma festa, em torno da quadra de tênis (festa de ricos, né, minha gente), com mais seis pessoas: um cliente viúvo e sua filha, um casal de amigos ricos para quem quer fazer uma venda e um casal de amigos pobres-acadêmicos.
A história é construída de um modo que, embora eu não saiba explicar a razão, soa como uma peça teatral. Quase consigo ver as entradas e saídas de cena. É densa, e forte, e profunda. E eu tenho de dizer que talvez, se a capa não houvesse sido feita em tons de azul e rosa bebê e com o nome da Madeleine (Sophie Kinsella), eu talvez houvesse gostado mais; expectativa é uma droga, né. Como, por causa desses fatos, eu esperava algo leve e fofinho, não gostei tanto. Como quando a gente vê a Jennifer Anniston, de Friends, fazendo um filme dramático, sabe? Até você se acostumar, perdeu metade da história.
Enfim, você, que já sabe sobre o que é a história, fique sabendo que é bem escrita, bem desenvolvida e interessante. Talvez goste mais do que eu.

The one that got away - Simon Wood
misteriozinho, acho que peguei de graça. Um serial killer que resolve ir atrás da única vítima que escapou, Zoe Sutton, e a perspectiva dela, cheia de culpa porque ela deixou a amiga para trás quando fugiu dele, mais de um ano atrás. Melhor do que a média, o que não anda querendo dizer muito.

Cadê você, Bernadette?, Where'd you go, Bernadette - Maria Semple


Que decepção! eu queria tanto ter gostado desse livro. Pra começo de conversa, é um desses que eu 'namorava' há um tempão. Depois, tem essa capa fofinha. Finalmente, é epistolar! tudo pra dar certo. #sqn. Um bando de personagens chatíssimos, sem noção, que não se conversam, (literal e figurativamente), pontos de vista se alternando entre eles sem conexão... puxa, detestei. Leia por conta e risco.

The viking, Marti Talbott - Marido está viciado em tudoviking. Séries, filmes, toy figures. ou seja, assisti à série (yummy), vi o filme A saga viking (meh), e aí fui ler esse livrinho. Só que, depois de tanta machadada e lutas por honra e terras na telinha, esse livro é um menino que sobrevive a uma invasão viking que deu errado na Escócia, e ele é tipo fofo, sabe... quase uma história de amor, o que é estranho. Bom, não estranho. Mas, em algum momento, a gente pensa, tá, por que então chamá-lo de viking? podia ser um náufrago, um órfão, um primo da pessoa... porque olha, de viking ele não tá tendo nada não, viu...

You, CAroline Kepnes - Esse livro foi eleito (por alguém, já me esqueci) o melhor suspense lançado em 2014. Fiquei curiosa, me processe. Fui ler. O moço trabalha numa livraria, flerta com a cliente, pega os dados dela no cartão de crédito, joga no google/facebook/twitter, e em dez minutos está na porta da casa dela vigiando. Arrepiou? Credo, né?
Só que é essa a extensão do livro. A gente arrepia de nojo e aversão desse tipo de atuação, e quando ele começa a soar ainda mais maluco e perseguidor e 'esbarrar' nela e vigiar as amigas e monitorar os e-mails e afins, acho que se fosse um filme e fosse bem feito, podia ser bem legal. No livro, não achei que a autora conseguiu. O sujeito é claramente um psicopata, mas ele só é assustador porque é tão 'preto e branco', sabe? ele realmente acha que a ama, e tudo que faz é pensando nisso, bem obcecado. Mas além de eu pensar, bom, vou checar minhas configurações de privacidade na mídia social e rezar pra não cruzar com gente maluca, semana que vem já esqueci do livro.

#Falsiane, Lucy Skyes - Gente, esse título é tudo, né? Pena que não foi tão bem desenvolvido assim, porque podia. A história é: editora de moda chique, linda, clássica, respeitada, tirou 6 meses de licença, pra tratar um câncer de mama. Quando volta, a ex assistente, periguete (a Falsiane), vendeu a ideia de transformar sua revista em uma publicação só digital, e está quase no seu lugar. Ótimo, né? E seria, eu acho, com uma única mudança: não deixar a Imogen (a editora) parecer uma completa imbecil, que ficou numa caverna por 25 anos, e não por 6 meses, e tem 68 anos de vida rural, não 42 urbanos - porque é assim que ela soa quando demonstra a ignorância absoluta sobre qualquer meio de social mídia, seja facebook, twitter, pinterest, ou algo que podia ser de fato mais complexo, tipo programação ou taxa de conversão de clientes. Isso me incomodou tanto que estragou o livro, que de outro modo, seria bem divertidinho.

quarta-feira, 18 de março de 2015

A Letícia lê - semana 11 - Timely classic - Clássico do momento - Um certo capitão Rodrigo, Érico Veríssimo

letrasinversoreverso:    Escritores e gatos     No dia em que faz 35 anos da morte do escritor Erico Verissimo, um raro momento: o escritor trabalhando na confecção de “Incidente de Antares”, em 1970, diante de seu gato de estima Snoopy.

Se a gente começa com essa foto, do Érico Veríssimo escrevendo com seu gato supervisionando, percebe que vai gostar do resto :)

Se na sequência a gente lê a primeira frase desse livro, que faz parte de toda uma série (O tempo e o vento), vê que no final dela já está imaginando o sujeito:

Toda gente tinha achado estranha a maneira como o Capitão Rodrigo Cambará entrara na vida de Santa Fé. Um dia chegou a cavalo, vindo ninguém sabia de onde, com o chapéu de barbicacho puxado para a nuca, a bela cabeça de macho altivamente erguida e aquele seu olhar de gavião que irritava e ao mesmo tempo fascinava as pessoas. Devia andar lá pelo meio da casa dos trinta, montava um alazão, vestia calças de riscado, botas com chilenas de prata e o busto musculoso apertado num dólmã militar azul, com gola vermelha e botões de metal. Tinha um violão a tiracolo; sua espada, a presilhada aos arreios, rebrilhava ao sol daquela tarde de outubro de 1828 e o lenço encarnado que trazia ao pescoço esvoaçava no ar como uma bandeira. Apeou na frente da venda do Nicolau, amarrou o alazão no tronco dum cinamomo, entrou arrastando as esporas,batendo na coxa direita com o rebenque, e foi logo gritando, assim com ar de velho conhecido:
-Buenas e me espalho! nos pequenos dou de prancha, nos grandes dou de talho!

Eu nunca vi as séries de tv, e espero que você também não, porque assim consegue imaginar o seu próprio capitão Rodrigo e não os atores que a Globo escolheu para eles.

Não tenho meias medidas. Sou oito ou oitenta! - diz ele a Juvenal, na primeira conversa com um nativo de Santa Fé.
E em cinco minutos, já está o novo amigo seduzido: "Juvenal acendeu o cigarro, tirou duas tragadas e ficou a observar o forasteiro. Já começava a achar que ele tinha uma cara simpática. Só o jeito de olhar é que não era la muito agradável: havia naqueles olhos muito atrevimento, muita prosápia e assim um ar de superioridade." - "O diabo do homem tinha feitiço".Depois, vai seduzir o padre Lara, que será seu amigo até o fim também: "Padre, é melhor vosmecê ir logo dizendo o que quer. Isso de dar voltas é lá com o rio Ibicuí. Gosto de gente que vai direito ao assunto."

O livro também é engraçado: "Naquele momento seu desejo por Bibiana se confundia com uma sensação de fome e Rodrigo começou a pensar alternadamente na rapariga e num churrasco." E ele explicando o porquê não se rendeu à confissão para o padre quando estava à beira da morte é um deleite.

Não contente, é atual: "Governo é governo e sempre é divertido ser contra".

A paixão de Bibiana é um capítulo à parte, muito bem escrito: "Cuidar da casa, fazer comida para Rodrigo, ... tudo isso eram prazeres que ela gozava duma maneira miudinha, prolongada, bem como fazia no tempo de menina quando lhe davam um pedaço de rapadura e, evitando triturá-lo com os dentes, ela o deixava dissolver-se aos poucos na boca para que o doce durasse mais." - "O vício dela era Rodrigo". A descrição da volta de viagem dele seria quase um capítulo erotizado prum livro que foi escrito em 49 :) E Bibiana, sendo a antítese da mulher de hoje - aceitava as traições dele, esperava-o em casa, era cega de amor - ainda assim entendia Rodrigo "detestava que viessem falar dele com ar fúnebre". E tem orgulho do que viveu e como terminou, o que, dentro da história dela, é grande.

Ou seja, fiquei muito feliz de tê-lo escolhido e lido. Vou procurar alguns outros títulos de clássicos, e no meio deles espero ser digna de encontrar literatura brasileira que 'converse' comigo como o Erico Veríssimo é tão lindamente capaz de fazer com seus leitores.


quarta-feira, 11 de março de 2015

A Letícia lê - semana 10 - semana temática - literatura brasileira

Literatura brasileira, porque eu prometi a mim mesma!

Fim, da Fernanda Torres - só terminei porque era ela. A história versa sobre a morte de vários amigos, a maioria idosos, e narra as circunstâncias nas quais morreram e algumas das ocasiões nas quais todos se encontraram e pontos focais em comum, sob ângulos pessoais. É bem escrito, na verdade. Mas achei que perdeu um pouco o ritmo no caminho, e não é muito meu tipo de livro. Além disso, de verdade, a maioria dos personagens era muito detestável.

Aos meus amigos, Maria Adelaide Amaral - Curiosamente, há ângulos muito parecidos com a história anterior. O livro parte de um amigo que se suicidou (Leo) e das pessoas que se reúnem no seu velório, na sua cremação e depois, em seu apartamento, enquanto a ex dele faz algumas coisas. Novamente, há a visão de alguns deles, e discussões, opiniões, sensações, sentimentos, pensamentos, divididos à exaustão. Creio que a maior diferença é que esses personagens me pareceram muito mais complexos, profundos, tridimensionais. O ritmo narrativo também foi sempre bom. É um livro cansativo, por conta do tema principalmente, denso emocionalmente - afinal, a maioria dos personagens tem muitas histórias e dramas para contar - mas gostei assim mesmo. Me lembrou um filme francês que vi há alguns anos, chamado As invasões bárbaras, e que aliás recomendo.

As verdades que ela não diz, Marcelo Rubens Paiva - Só li Feliz ano velho, imagino que como todo mundo da minha geração, (junto com Christiane F.), e não tinha a menor ideia sobre as habilidades como escritor do Marcelo Rubens Paiva; sequer me lembrava dele como jornalista/colunista. E gostei. Não amei, mas gostei. Houve uma ou duas histórias que me lembraram muito Veríssimo, poucas que eu achei muito sem graça, e nenhuma que me tenha feito fazer caretas de vergonha alheia pelas pessoas que querem fazer literatura contemporânea e forçam a barra. Colei no goodreads algumas das que gostei mais :)

Diálogos impossíveis, Luiz Fernando Veríssimo -  Imaginei que esse seria um respiro agradável e uma brisa benvinda nessa pilha, o que quer que ocorresse com os outros. E estava certa. Acho difícil algo sair do caminho feliz com Veríssimo. Ele tem um olhar novo, divertido, irônico sem ser agressivo, que me encanta. As pessoas falavam nas resenhas de alguns dos contos que  não foram os que eu mais gostei - gosto dele 'roots', naqueles que ele coloca duas pessoas no elevador, duas pessoas no bar, duas pessoas que se esbarram e começam a conversar e dali sai qualquer coisa.

Os cem melhores contos brasileiros do século, Italo Moriconi - Vale a leitura, porque há nele contos que o leitor regular provavelmente não leria normalmente, seja porque seus autores sejam mais desconhecidos, seja porque os contos são mais obscuros. Nem todos são incríveis, afinal são cem. Mas há alguns que valem por dois de bons, então acho que a conta fecha, rs... Há pérolas como A caolha, que eu já havia lido muitos anos atrás, há preciosidades como Pílades e Orestes - ah, Machado! - há Fernando Sabino e Clarice Lispector e Rubem Braga e Veríssimo. Há O arquivo, do Victor Giudice, há autores como Osman Lins e há Lima Barreto. Mesmo que seja para discordar da seleção, como eu provavelmente o faria, recomendo ler.
Meus favoritos: O peru de Natal, do Mario de Andrade, O homem nu e a Mulher do vizinho, do Fernando Sabino, Uma galinha e, claro, Felicidade clandestina, da Clarice, Menina e Bar, do Ivan Angelo, (que deliciosa surpresa!), A caçada, da Lygia Fagundes Telles (tão ela!), Passeio noturno, do Rubem Fonseca (jisuis!), O elo partido, do Otto Lara Resende.

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terça-feira, 20 de janeiro de 2015

A Letícia lê - semana 3 - Timely classic, Clássico do momento - Dom Casmurro, Machado de Assis

E aí eu li Dom Casmurro. Achei que era hora de ler literatura brasileira, e a Maria, do Bombuteco, mencionou tê-lo relido, e além de tudo esse tipo de livro é gratuito no kindle.

A quantidade de coisas que eu não lembrava sobre o livro! Lembrava do cerne da história (Capitu traiu ou não Bentinho com o amigo? O filho é ou não dele?) mas não me lembrava que isso na verdade é só o núcleo central, e tem um monte de coisas à volta. Por exemplo, a questão de ele ter sido prometido ao clero, as manipulações que faz desde adolescente em nome disso, tudo que acontece dentro da cabeça dele, a amizade dele com Escobar, a paranoia nos mínimos detalhes ("Ezequiel comia como Escobar, concentrado no prato"), a relação dele com as outras pessoas e com a solidão. Isso tudo sim é o que faz do livro algo incrível, e não somente a dúvida sobre a Capitu.

Não lembrava:

1. que o Bentinho é maluco. Vamos conversar, ma-lu-co. Um maluco imaginativo, meio travado, mas ainda assim... Ele sabe um pouco de algumas partes de si: "Tive um daqueles meus impulsos que nunca chegavam à execução: foi atirar à rua caixão, defunto e tudo." ou "Um dos costumes da minha vida foi sempre concordar com a opinião provável do meu interlocutor, desde que a matéria não me agrava, aborrece ou impõe. Antes de examinar se efetivamente Capitu era parecida com o retrato, fui respondendo que sim"

"Eia, comecemos a evocação por uma célebre tarde de novembro, que nunca me esqueceu. Tive outras muitas, melhores, e piores, mas aquela nunca se me apagou do espírito. É o que vais entender, lendo."
Só que Bentinho se lembra das coisas, como todos nós, do jeito dele. Ele vai construindo as coisas na cabeça dele, e na verdade, no fundo até sabe disso.

Por exemplo, Bentinho imagina Otelo já matando Desdêmona no primeiro ato e como tudo seria diferente e como a vida é um teatro e diz que sabe que a vida não é assim.

Ao mesmo tempo: "Via-me já ordenado, diante dela, que choraria de arrependimento e me pediria perdão, mas eu, frio e sereno, não teria mais que desprezo, muito desprezo; voltava-lhe as costas. Chamava-lhe perversa. Duas vezes dei por mim mordendo os dentes, como se a tivesse entre eles."

"Era um bom amigo, não direi ótimo, mas nem tudo é ótimo neste mundo. E não lhe suponhas alma subalterna; as cortesias que fizesse vinham antes do cálculo que da índole." (analisando José Dias, a quem acha que é calculista e oportunista - agora me ocorre, existe alguém que ele não ache? Se a única pessoa com quem ele estreitou laços era Escobar... bom, tem a mãe. Mas verdade seja dita, ele teve um certo ódio da mãe quando ela o quis enviar para o seminário.)

2. Também não lembrava que o amor adolescente de Capitu e Bentinho era fofo, e poético, e até bastante realista:
"Quando me perguntava se sonhara com ela na véspera, e eu dizia que não, ouvia-lhe contar que sonhara comigo, e eram aventuras extraordinárias, que subíamos ao Corcovado pelo ar, que dançávamos na lua, ou então que os anjos vinham perguntar-nos pelos nomes, a fim de os dar a outros anjos que acabavam de nascer. Em todos esses sonhos andávamos unidinhos. Os que eu tinha com ela não eram assim, apenas reproduziam a nossa familiaridade, e muita vez não passavam de simples repetição do dia, alguma frase, algum gesto. Também eu os contava. Capitu um dia notou a diferença, dizendo que os dela eram mais bonitos que os meus, eu, depois de certa hesitação, disse-lhe que eram como a pessoa que sonhava... Fez-se cor de pitanga."

"Que as pernas também são pessoas, apenas inferiores aos braços, e valem de si mesmas, quando a cabeça não as rege por meio de ideias. As minhas chegaram ao pé do muro."

"Estávamos ali com o céu em nós. As mãos, unindo os nervos, faziam das duas criaturas uma só, mas uma só criatura seráfica. Os olhos continuaram a dizer coisas infinitas, as palavras de boca é que nem tentavam sair, tornavam ao coração caladas como vinham..."

"Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá ideia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarre-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros; mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me". (quando ela está falando de convencer a mãe de Bentinho de ficar.)



"Não sei se alguma vez tiveste 17 anos. Se sim, deves saber que é a idade em que a metade do homem e a metade do menino foram um só curioso."

Bentinho sabia que Capitu era forte, e inteligente, e ao mesmo tempo que era seduzido por isso, seu ego não sabia muito lidar com o fato.






3. E que ele era absurdamente arrogante:

"... coisa que não era necessário dizer, mas há leitores tão obtusos, que nada entendem, se se lhes não relata tudo e o resto. Vamos ao resto."

"Ezequiel morreu de febre tifoide. (...) Apesar de tudo, jantei bem e fui ao teatro." Esse deve ser o fim mais triste de um livro que eu já vi. Fiquei olhando pra última página um tempão. Que triste viver dentro de você, Bentinho. (e hats off to you, Machado de Assis! Você é sensacional!)

"E com uma letra bem pequena, lá estava escrito no seu epitáfio: Tentou ser, não conseguiu; tentou ter, não possuiu; tentou continuar, não prosseguiu; e nessa vida de expectativa frustradas tentou até amar... Pois bem, não conseguiu, e aqui está." - Dom Casmurro.

Mas minha charge favorita, desculpa aí, é essa: (e diz muito, não diz não??)






segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Musing Mondays, (in) Sensatas Segundas

Resolvi rebatizar o Musing Mondays pela aliteração Sensatas Segundas. Aí, ponderei, vocês vão concordar que com razão, que baseada nas últimas segundas, não dava pra garantir muita sensatez, e acrescentei o prefixo para garantir a credibilidade... Ele vem, originalmente, do blog Should be reading, e pode ser sobre qualquer coisa relacionada a livros...

Resolvi começar uma série top 5 (não preciso de muito pra fazer listas de top 5). A primeira será top 5 livros de literatura brasileira que eu acho que todo mundo deveria ler:


Jubiabá, Jorge Amado
Comédias da vida privada, Luís Fernando Veríssimo
Éramos seis, Maria José Dupré
Venha ver o por do sol e outros contos, Lygia Fagundes Telles
Felicidade clandestina, Clarice Lispector
Missa do galo e outros contos, Machado de assis
Um certo capitão Rodrigo, Érico Veríssimo
Ou isto ou aquilo, Cecília Meireles
A marca de uma lágrima, Pedro Bandeira.
As reinações de Narizinho, Monteiro Lobato.

Eu disse top 5? quis dizer top 10, obviamente.

Títulos a acrescentar?


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Você nunca realmente entende os outros até ver suas estantes.