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Leticia's favorite books »

sábado, 13 de agosto de 2016

A Letícia lê - quinzena de agosto

E aí que essa quinzena passou voando, principalmente porque estou trabalhando enlouquecidamente. Li uns livrinhos tontos, porque meu cérebro só dava conta disso, comecei muito timidamente Harry Potter, dividida entre querer reler todos eles e ler logo esse último antes de saber tudo pelos outros, e li Dostoievski, O idiota.
Esse idiota do título é o príncipe Mishkin (você vai achar uma grafia diferente a cada edição), e a origem desse nome vem desde Aristoteles ao fato de que ironicamente o idiota é o sujeito que não tem lugar na sociedade, basicamente porque ele foi escrito para ser uma mistura "de Cristo e Quixote". Isso quer dizer que ele é compassivo, ingênuo, honesto, com o coração sempre aberto e exposto, sabe? e, como nos idos de 1800, se apaixonou pelos olhos num retrato, veio de um sanatório onde estava por epilepsia, conta pra todo mundo como a beleza do mundo o fascina... ou seja, um indivíduo sem "capa"social, no sentido de vida em sociedade como a conhecemos na vida vazia.
Isso dito, há momentos nos quais você só acha que ele é... idiota. Desculpe, mas sim, há gente que não merece sua ingenuidade, sua compaixão, e isso não quer dizer que merece o oposto, e sim que não merece seu tempo, só que você siga adiante. E também há momentos demais nos quais os outros parecem ser retumbantes... idiotas. Literalmente batendo os pés e se batendo, como Gavrila e Rogojin. É algo que nos causa vergonha alheia, o fato de que o tempo todo há alguém "enrubescido", "querendo aniquilar o outro", "irado ao extremo", "incontroladamente enraivecido". Assim, estamos no jardim da infância?
Isso inclui todos os personagens principais, pra mim: do general ao príncipe, de Rogojin à Nastassja, de Gavrila à Totski, tenho um pouco de vontade de eu mesma dar um gritinho de "ah gente, vai lavar uma louça", mas aí me lembro da mãe do tuberculoso que teve seus móveis penhorados pelo general (esqueci o nome dela) e percebo que nem tendo louça pra lavar esse povo tomava jeito.
Claro, lá pelo meio com um romancezinho incipiente a narrativa ganha um fôlego porque o interesse humano é pelas emoções mundanas né. Mas vai e volta e vai e volta, e Jane Austen faz isso tão melhor. Desculpa, não deu. Mesmo com o final novelesco e mais agitado que metade do livro.
Não entendo se historicamente o comportamento do público era assim ou ele quis dar uma caricatura, (na verdade entendo sim, claro que era essa a intenção, assim como o título do livro, uma sutil ironia) mas era desconcertante, deprimente e, da perspectiva literária, desculpe, irritante, por conta da repetição das mesmas atitudes - a mensagem é clara e poderia ter sido passada em metade das páginas, porque claramente as pessoas permanecem... adivinha... idiotas. (e não aristotelicamente falando aqui).

Bom, é muito possível que a idiota seja eu e eu não tenha preparo espiritual para ler esse livro. Mas ao contrário de outros clássicos, que me dão camadas novas a cada vez que eu leio ou a cada capítulo, eu achei que esse me parecia uma repetição eterna do mesmo tema. Vou ter que reler Dom Casmurro, ou Crime e castigo, ou um desses que me foram queridos, para tirar esse ranço. Alguém que gostou do Idiota compartilha comigo o que eu perdi?

Um comentário:

  1. Nunca li este e me pareceu pesado demais para uma cabeça que estava trabalhando loucamente, deve ser por isso que a leitura pareceu enfadonha. Quando estou trabalhando demais, como aconteceu nas semanas anteriores, pego um YA para ler e foi assim que fiz, li Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo e fiquei leve.Tempos estressantes pedem leituras leves, acho que estando estressada, não encararia nem Dom Casmurro, que amo. Bjo!

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